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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Coletânea: Lulina, Lulina

Lulina será a atração da próxima mixtape e como não poderia deixar de ser, dedico a Coletânea desta semana a ela. Lulina não vem com banda, vai apenas discotecar. E já adiantou que vai rolar coisas boas, tipo Of Montreal, Deerhunter, Broadcast e – quem sabe – o grande Edy Star! Bom gosto ela tem, então podem ficar tranqüilos. Para quem duvida, pode conferir alguns vídeos dela. Tem Lulina para todos os gostos: debaixo do edredom ou bebendo cerveja no bar no fantástico Música de Bolso, participando do programa Showlivre ou dando entrevista para o TramaVirtual. Tudo é muito bom. Eu garanto. Have fun:











Ciro Hamen é um dos organizadores e DJs da mixtape e editor do blog Acento Negativo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Coletânea: Alex Chilton, sentimos a sua falta

Morreu na quarta-feira passada, de uma parada cardio respiratória, o compositor e produtor Alex Chilton. Um dos maiores nomes da música, Chilton cortava a grama de sua casa quando começou a passar mal. Chilton tinha 59 anos e ainda estava na ativa. Sua banda, Big Star, estava programada para tocar no festival South by Southwest, em Austin, Texas, no fim-de-semana de sua morte. A notícia de seu falecimento provavelmente provocou grande comoção entre os presentes no festival, afinal Chilton e o seu Big Star devem ter influenciado 90% das bandas que estavam ali e 90% das bandas que você deve escutar. Artistas tão diversos, como Bobby Gillespie, do Primal Scream, Mike Mills, do R.E.M, Alexis Taylor, do Hot Chip e Carrie Brownstein, do Sleater-Kinney, expressaram o quanto são gratos pela música de Alex Chilton. Carrie Brownstein, em um belo texto no seu blog, falou sobre como era bom mostrar essas canções para alguém que ainda não conhecia o #1 Record ou o Radio City e como a sua música foi capaz de mudar vidas.

No último fim-de-semana, indo para São Paulo para confraternizar e causar com alguns amigos, resolvi fazer uma experiência. Sozinho, no ônibus, coloquei o #1 Record no mp3 e fui transportado para outro planeta. Estava nas canções sobre amores perdidos e encontrados de Chilton, nas estradas americanas - afinal, as estradas de noite são todas iguais (ou quase) -, na juventude que desde o início dos anos 70 - época do lançamento dos primeiros discos do Big Star – não mudou muito e só precisa de um baseado para acabar com a monotonia, como ele diz na música “In The Street”, que a maioria deve conhecer por ser a abertura do That 70´s Show (na versão do Cheap Trick).

A inocência da juventude da maneira que só Chilton conseguia colocar em música fica explícita em canções como “Thirteen”, na qual ele diz para a garota que talvez na sexta-feira consiga os ingressos para o baile. Ele entendeu os garotos desajustados e os tímidos, para quem dançar com a amada era mais importante do que qualquer outra coisa. Chilton era um gênio e tentava ficar longe dos holofotes nos últimos anos (tanto que segundo a sua viúva, ele morreu enquanto cortava a grama). Na canção “Alex Chilton”, do Replacements, Paul Westerberg dizia “Children by the millions/Scream for Alex Chilton”, verso que fica como uma espécie de prova da importância do cantor na vida de milhares de pessoas no mundo. O que seria de artistas como Wilco, Elliott Smith e Bright Eyes sem Alex Chilton? Não sei, mas ainda bem que ele existiu.

Ciro Hamen é um dos organizadores e DJs da mixtape e editor do blog Acento Negativo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Coletânea: As melhores músicas para ouvir correndo

Depois das piores músicas para ouvir correndo, compartilho com vocês as melhores.

Arctic Monkeys – Brianstorm – Essa é ideal para começar o treino. Vai te colocar no gás para as horas ou minutos de suadeira que você terá pela frente.

Blondie – Maria – A melhor música de todos os tempos para correr. Parece que o Blondie fez “Maria” especialmente para os atletas. A batida da música é exatamente a mesma do ritmo das pernas em ação. A impressão é a de que a canção foi composta com um sujeito correndo dentro do estúdio.

The Killers – When You Were Young – Boa para correr em ambientes urbanos, com carros e luzes ao redor. A guitarrinha que entra exatamente aos 02:19 é tão revigorante quanto um belo copo d´água depois de uns 50 minutos de treino.

Grizzly Bear – Two Weeks – Na verdade essa nem é tão boa para a corrida. Mas quando o seu corpo já estiver liberando dopamina e você der de cara com aquele pôr do sol, estar escutando essa música que contagia até crianças de quatro anos é uma das melhores sensações do mundo (já senti isso).

Bat for Lashes – Daniel – Aparentemente é uma música que não tem nada a ver com corrida, mas tem tudo a ver. Experimente ouvi-la correndo. Você vai sentir-se um grande vencedor na São Silvestre ou coisa parecida e ouvindo uma música bem mais descolada que a do Rocky ou “The Final Countdown” do Europe.

Yeah Yeah Yeahs – Heads Will Roll – Sintetizadores, gritos, guitarras. Tudo perfeito para uma ótima corrida.

Enfim... São muitas as canções boas para corer. Mais algumas sugestões:

Spoon – Well Alright; Phoenix – Lisztomania; Nação Zumbi – Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada; Animal Collective – Brother Sport; Fang Island – Daisy

Ciro Hamen é um dos organizadores e DJs da mixtape e editor do blog Acento Negativo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Coletânea: As Piores Músicas Para Ouvir Correndo

Como o bon vivantdisse em sua coluna, uma das nossas atividades favoritas é a corrida. Quando não vamos treinar juntos, gosto de colocar os fones de ouvido e me deixar levar pela seleção de mp3 do meu aparelho. Obviamente não são todas músicas que combinam com corrida. Nesta semana e na próxima, vou listar as melhores e piores escolhas que já fiz enquanto montava a seleção de canções para escutar durante o exercício. Começo com as piores:

Kelly Clarkson – Since U Been Gone – “Since U Been Gone” é um puta hit e uma das melhores músicas da última década, mas na hora da corrida não dá. E o motivo é simples: o refrão. Impossível correr a música em uma determinada pegada e depois ouvir aquele refrão explosivo. Você perde completamente o ritmo. E pra voltar ao ritmo anterior depois é difícil.

Queens of the Stone Age – Regular John – Música muito acelerada não rola. Você vai ficar num pique fodido, correr mais do que deve e depois não vai agüentar correr no mesmo ritmo. Isso vale para qualquer uma do Queens of the Stone Age.

Panda Bear – Comfy In Nautica – Assim como música acelerada não funciona, música muito lenta também não. Panda Bear é maravilhoso, mas para ouvir andando, dançando, sei lá, tudo menos se exercitando.

Annie – Heartbeat – Música muito baladeira é complicado. Qualquer coisa que tire a sua concentração do momento e te lembre da tequila da noite passada – ou a desta noite – é bom ser evitada. Na dúvida, opte pela “Heartbeats” do Knife.

Le Tigre – Deceptacon (DFA Remix) – Um remix meio estranho para a corrida. Acho que a versão original funciona bem melhor.

Jay-Z – Girls, Girls, Girls - Rap geralmente funciona na hora da corrida, mas não todos. Se você vai colocar uma música do Jay-Z, saiba qual colocar. “99 Problems” funciona bem.

E semana que vem eu revelo quais são as melhores canções para ouvir durante a corrida.

Ciro Hamen é um dos organizadores e DJs da mixtape e editor do blog Acento Negativo.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Coletânea: A volta do padrinho do rap

Sei que na primeira Coletânea falei que este não seria um espaço de dicas sobre o que ouvir ou o que não ouvir, mas resolvi abrir uma exceção para recomendar um dos melhores discos do ano até agora. Aproveitando o gancho desta edição da mixtape, que será recheada de música negra, com a discotecagem Futuráfrica e o show de hip-hop do De Leve, gostaria de expressar a minha surpresa com I´m New Here, álbum novo de Gil Scott-Heron, um dos maiores pilares da música norte-americana e mundial.

Depois de 15 anos sem gravar – desde Spirits, de 1994 -, ele retorna inspirado. Surgido nos anos 60, considerado um “Bob Dylan negro” e chamado de “padrinho do rap” por causa de seus longos monólogos e poesia, Gil Scott-Heron dá esperança para aqueles que querem vê-lo gravando com freqüência novamente. Difícil voltar a ser a mesma voz contestadora, intelectual e tão importante que foi nos anos 70 e começo dos 80, mas só de estar “aí na atividade” já é um alívio.

I´m New Here começa com “On Coming From a Broken Home”, faixa com base eletrônica intimista – assim como a maior parte do álbum -, na qual fala sobre as mulheres de sua família, a mãe e a avó, que o ajudaram na adolescência, quando – por causa de sua habilidade com as palavras - ganhou uma bolsa para estudar em Nova York, abandonando o lar no Tennessee. Na genial “New York is Killing Me”, afirma: “oito milhões de pessoas e eu não tinha sequer um amigo”. Enquanto na bela “Where Did The Night Go”, fala sobre a falta de habilidade de comunicar-se com aqueles que ama.

Scott-Heron está mais reflexivo - provavelmente por causa da idade -, mas sem deixar de ser um crítico social. É bom ver que depois de passar a maior parte dos anos 2000 envolvido em problemas com drogas – o vício em cocaína, que evoluiu para o crack – e ir parar na prisão, como os personagens de suas músicas dos anos 70, ele conseguiu lançar um disco sensacional. Um verdadeiro gênio que volta em grande estilo.

Recado: Prometo rolar uma desse disco na mixtape. A cover de Robert Johnson, “Me and the Devil”, talvez?

Ciro Hamen é um dos organizadores e DJs da mixtape e editor do blog Acento Negativo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Coletânea: Como fazer uma boa mixtape

Como DJ residente da mixtape sou encarregado de saber um pouco sobre música. A partir desta quarta-feira, todas as semanas na coluna Coletânea, vou compartilhar um pouco do que aprendi nos anos convivendo com música boa, música ruim, shows underground e o que mais eu achar interessante. Não vou falar pra vocês o que ouvir ou o que não ouvir – a internet já está cheia de sites e blogs deste gênero -, mas sim analisar tudo o que engloba esse mundo tão interessante – o da música.

Para começar achei que viria a calhar ensinar o leitor a fazer uma boa mixtape – nome da festa mensal na qual discoteco e deste blog também. E o que é uma mixtape? Mixtape são aquelas fitinhas que algumas (poucas) pessoas têm o costume de gravar para os amigos, para alguma festa, para alguma viagem, para a namorada, para a pretendente ou para algum membro da família, fazendo uma miscelânea com o que ela achar de melhor na sua discoteca. Com o tempo, as mixtapes viraram mixCDs – talvez pela maior facilidade e rapidez de passar mp3 para um CD -, mas engana-se quem pensa que as fitas cassete estão em desuso. Em dezembro de 2009, a banda nova-iorquina Oneida lançou uma edição limitada de Fine European Food and Wine apenas em fita cassete. Tudo bem que era material antigo, com gravações ao vivo e improvisos impróprios para um “lançamento sério”. Mas é louvável a atitude da banda em lançar algo exclusivamente neste formato. Bitte Orca, do Dirty Projectors, foi lançado em cassete, assim como dois discos do Deerhunter. Ano passado, Thurston Moore, do Sonic Youth, disse que só ouvia cassete.

A fitinha tem o seu charme. No CD, por exemplo, a ordem das músicas perdeu um pouco o sentido, uma vez que é muito mais fácil você pular de faixa. Na fita você tinha que adiantar até sabe-se lá onde sem saber onde a música ia parar exatamente, caso não gostasse de determinada canção. E aí chegamos na primeira – e mais importante – dica de como criar uma boa mixtape: as três primeiras músicas. Na confecção da mixtape perfeita, as três primeiras músicas são essenciais. Devem mostrar a que você veio e qual é a sua intenção com aquela coletânea.

A única faixa que deve ter importância igual às três primeiras é a última. Essa é a que vai fechar tudo, portanto também tem que ser memorável. Isso não significa que todas as outras não são importantes. Não. Todas as faixas devem ser importantes – para você primeiramente – para que o ouvinte também goste do que vai escutar. Tente criar várias ordens diferentes e veja qual seqüência fica melhor.

Você também tem que saber para quem você está gravando aquilo. Por exemplo, você não vai colocar uma música do Necro em um mix para a sua namorada ou para a garota que você está afim. Por mais que ela curta o “death rap” do americano, uma canção que fala sobre o cara estuprando a mãe, matando o pai e depois injetando heroína pelos olhos não cabe em uma coletânea “romântica”. É bom manter a seleção eclética, mas alguns cuidados deste tipo devem ser tomados. Uma artezinha, tipo um encarte, também ajuda. Em CD ou fita cassete, a intenção é a mesma: fazer um presente bacana para aqueles que você gosta.

Ciro Hamen é um dos organizadores e DJs da mixtape e editor do blog Acento Negativo.